domingo, outubro 18, 2009
sexta-feira, outubro 02, 2009
domingo, agosto 23, 2009
domingo, agosto 16, 2009
sábado, agosto 01, 2009
Os espertos colhem frutos. Vivem no ponto cronológico, aqui, evidente e insustentável.
Os inteligentes vão colhendo frutos. Vivem na cronologia, além, inevidente e sustentável.
PS - Tenho pim-pu-netado pouco? O silêncio contido da palavra não expressa é tão ou mais importante que o silêncio incontido da palavra expressa. O contido o cimento e o incontido o tijolo. Como se o contido fornecesse o lado incontestável do incontido? Creio que sim. Equilíbrios desejáveis...
quarta-feira, maio 27, 2009
sábado, maio 23, 2009
On n'est pas encore revenu du pays des mystères
Il y a qu'on est entré là sans avoir vu de la lumière
Il y a là l'eau, le feu, le computer, Vivendi, et la terre
On doit pouvoir s'épanouir à tout envoyer enfin en l'air
On peut toujours saluer les petits rois de pacotille
On peut toujours espérer entrer un jour dans la famille
Sûr que tu pourras devenir un crack boursier à toi tout seul
On pourrait même envisager que tout nous explose à la gueule
Autour des oliviers palpitent les origines
Infiniment se voir rouler dans la farine
A l'envers, à l'endroit, à l'envers, à l'endroit
A l'endroit, à l'envers, à l'envers, à l'endroit
Y'a t'il un incendie prévu ce soir dans l'hémicycle
On dirait qu'il est temps pour nous d'envisager un autre cycle
On peut caresser des idéaux sans s'éloigner d'en bas
On peut toujours rêver de s'en aller mais sans bouger de là
Il paraît que la blanche colombe a trois cents tonnes de plombs dans l'aile
Il paraît qu'il faut s'habituer à des printemps sans hirondelles
La belle au bois dormant a rompu les négociations
Unilatéralement le prince entame des protestations
Doit-on se courber encore et toujours pour une ligne droite ?
Prière pour trouver les grands espaces entre les parois d'une boîte
Serait-ce un estuaire ou le bout du chemin au loin qu'on entrevoit
Spéciale dédicace à la flaque où on nage, où on se noie
Autour des amandiers fleurissent les mondes en sourdine
No pasaran sous les fourches caudines
A l'envers, à l'endroit, à l'envers, à l'endroit
A l'endroit, à l'envers, à l'envers, à l'endroit
quinta-feira, abril 02, 2009
sexta-feira, março 06, 2009
Não sou apologista de fundamentalismos e, indenpendentemente dos benefícios (inegáveis, como a publicação desta opinião ou, em versão digital com poupança de árvores, post) do info and net (work) world, o certo é que este tem conduzido a novos modelos de estar e de interagir, nem sempre objectiva ou subjectivamente lineares (eufemismo para vantajosos).
Pessoalmente, deixei de ter ligação constante à Internet (i.e., na residência habitual) no final de 2006, apesar dos actuais preços irrisórios. Em 1997, cheguei a fazer com que a minha mãe pagasse 30 contos pela nova ligação. Fala-se muito nas toxicodependências. E outras dependências? O jogo, o sexo, a Internet... Sobre esta última, gostaria de ter feito ou de vir a fazer um trabalho de investigação. Pela constatação dos impactos explícitos e implícitos nos outros e porque há uns anos, quando chegava a casa, a primeira coisa que fazia era ligar o computador. O mesmo ao acordar, desleixando-me na alimentação, no sono, nos passeios, na cultura, nas amizades. Sim, nas amizades, porque a ideia de que a Internet aproxima é relativamente aparente (o que daria para uma discussão em dezenas de páginas de um trabalho de investigação): as recordações que tenho nasceram in real e não in vitro (leia-se virtual). Ou seja, não será o tempo despendido na Net (alusão à simplificação) tempo perdido para ganharmos lembranças? Volumes, espaços e lembranças com corpo: aparições, presenças e recordações. Porque estas vivem essencialmente de cheiros, olhares, gestos, luzes, sombras, fluxos que nos aparam, envolvem no vazio... De um todo. E não tanto de pontas de dedos e um ecrã, solitários. E, afinal, a felicidade tem que ser baseada na verdade e no real. A alegria é outra coisa.
- 'O Facebook e o Twitter estão a mudar a forma como pensamos (...) literalmente';
- 'Portugal é o terceiro país Europeu que mais utiliza as redes sociais na Internet';
- 'a exposição das crianças à rapidez da comunicação pode acostumar o cérebro a trabalhar em escalas de tempo muito curtas e aumentar os distúrbios de défices de atenção';
- 'preferência pelas recompensas imediatas, ligada às áreas do cérebro que também estão envolvidas na dependência de drogas (...) vai-se mais atrás do prazer rápido';
- 'Nas crianças, aquilo que é óbvio é que as novas formas de comunicação, menos presenciais, criam um modelo de interacção menos humanizado, muito menos rico a nível emocional, já que a capacidade de sentir o outro é limidada, ou seja, a capacidade de desenvolver empatia também pode ser afectada';
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Se disser que gosto de ti
é coragem.
Se disser que sou feliz sem ti
é dizer que sou menos feliz sem ti.
Se disser que quero ficar contigo
é escolher o eterno melhor do bom.
Se disser que é muito o que gosto de ti
é pleonasmo.
És Pretérito Imperfeito
primeira pessoa do singular.
Também imperfeição perfeita
Presente do Indicativo: gosto.
Uma luva com sete e um dedos
três invisíveis
mesmo formato da minha mão
mas mais pequena.
Não queria e menos esperava
Aconteceu.
E agora?
Retricotarás tu a luva que és?
É o amor irracional?
A-penas?
Era
de oito deitado.
domingo, janeiro 04, 2009
I can't really explain it, I haven't got the words
It's a feeling that you can't control
I suppose it's like forgetting, losing who you are
And at the same time something makes you whole
It's like that there's a music, playing in your ear
And I'm listening, and I'm listening, and then I disappear
And then I feel a change, like a fire deep inside
Something bursting me wide open, impossible to hide
And suddenly I'm flying, flying like a bird
Like electricity, electricity
Sparks inside of me, and I'm free, I'm free
It's a bit like being angry; it's a bit like being scared
Confused and all mixed up and mad as hell
It's like when you've been crying
And you're empty and you're full
I don't know what it is, it's hard to tell
It's like that there's some music, playing in your ear
But the music is impossible, impossible to hear
But then I feel it move me
Like a burning deep inside
Something bursting me wide open
Impossible to hide
And suddenly I'm flying
Flying like a bird
Like electricity, electricity
Sparks inside of me
And I'm free, I'm free
Electricity sparks inside of me
And I'm free, I'm free
Oh, I'm free
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Obrigado, Professores.
A minha caligrafia de profissional e de pessoa é desenhada pelas vossas letras.
Obrigado, Amigos.
Pelos trampolins, com e sem rede.
Obrigado, Beatriz.
Afinal, 'para ver o Filipe feliz, era só falar na Beatriz'.
Simbiose até nos nomes. Filipe. Beatriz. Feliz.
Porque a noite de ontem, de re-encontros, deixou aquilo no ar.
Aquilo que paira, que não tem como, onde nem porquê.
Aquilo a que chamam felicidade.
Porque ontem é ante-ontem, hoje e amanhã.
Porque o homenzinho re-inventa-se e salva-se ainda com o menino de treze anos.
terça-feira, dezembro 09, 2008
Quem não sabe quem é a Marie Janine, vide posts de Novembro e Dezembro de 2006.
Não gosto de publicitar as minhas viagens. Quer por texto. Quer por fotografias. Quer por conversas de café forçadas. Por norma. Apesar da forte tendência a repeti-las. Porque uma viagem é mais interior do que exterior. Provavelmente. Para mim. E porque sou mais leal aos meus. Amores. Felicidades. E mais fiel às minhas. Paixões. Alegrias.
Voltei a Paris. Quarta vez. A terceira foi um ano. Ao chegar, não me senti euforico. Nem indiferente. Expectante. Talvez. Para aprofundar melhor o que significou um ano. Ca. Com a distancia devida... Porquê algo apatico?
Medo de uma invasão nostalgica. Talvez. Nostalgia de me ter debruçado afincadamente sobre o meu parapeito. Essencialmente. De ter escrito mais poemas num ano do que em cada um dos anos anteriores. De ter vindo à procura de nada. E de tudo. De ter querido estar so. Depois de anos a ter deixado que me roubassem importante parte do tempo do meu âmago. E querido que me roubassem. Verdade seja dita. E de ca não ter querido comprar papel absorvente. Com desintoxicação internética. O paradigma do simplesmente so. Mas bem. Muito bem. O niilismo pleno. O inadvertismo pensado. A loucura. A liberdade. A felicidade. Não tanto a alegria.
Por nunca ter saido desta casa. Efectivamente. Talvez. Sim! Vivo os cheiros sem os cheirar. As pontes que guiei de bicicleta inumeras vezes sem as atravesar. As pedras que pisei sem as sapatilhar. As luzes sem as vislumbrar. A rede das ruas sem as rolar e sem me enganar. O vento pedalado sem me entranhar. A relva sem me deitar. O cheiro do RER. O truc-truc e o pfffuuum do para e arranca do metro. As fachadas. O melting pot à Parisiense. O esteticismo Frrranciu. Com mais ou menos classe. O monumentalismo ecléctico. As conversas. As caras. Nos sitios precisos (o revaldo de Champs de Mars esta agora vedado e a torre mascara-se durante a noite de azul com doze estrelas amarelas para orgulhar a Presidência Europeia). As divagações deambulantes. Os silêncios rejuvenescedores. As evasões. Condensadas. E diluidas. Estou de volta. E até da distribuição das prateleiras e dos produtos do supermercado me lembro. Das senhoras da caixa. Da rapariga 'das' crepes. E ha quem se lembre de mim. E não é pouco. Porque a essência, boa ou ma, paira, forte e certeira, entre os atentos. E consegue chegar.
Por ser Dezembro? Possivelmente. Não é o meu mês. Por certo. Para ja. Mas para saber o que é, tem-se de saber o que não é. E assim a expansão nasce com mais força depois da retracção. Um solo que não descansa ou onde não cai merda (a minimamente suficiente, por favor) é um solo esgotado. Potencialmente. E porque apercebi-me. Ao chegar. Que hoje não seria capaz de viver aqui. Mais de dois anos. No maximo. Ao contrario do que havia pensado outrora. Não apenas por causa de Dezembro e meses afins locais. Mas também. E pode ser que o mês esfrie os ânimos. Ha um lado positivo. (Quase) sempre. Afinal. E' uma questão de foco.
Estava melancolico. No terceiro dia. Uma melancolica de ter medo da propria existência. Fora o pleonasmo. Felizmente. Porque não sou nada masoquista. Raras e passageiras. As melancolicas. Ainda assim melindrosas. E muito. Coração que se sente enjaulado. Quanto mais bate. Mais apertado. Porque expande-se. Ao contrario das grades da jaula. E doi. E não é pouco. Dois terços de dia de melancolia. Na passagem do segundo para o terceiro terço, um rasgo. Chamado Marie Janine. Truz truz. Voilà. Porta reaberta. E aquele belo apartamento. Ao nivel dos telhados de toda a Paris. Com paredes decoradas ao centimetro. A' mão. Novamente meu. Dois copos de vinho do Porto. Alguns biscoitos. Dois sofas. E novas confissoes. Que entraram sem pedir licença. Profundas. Escondidas no escondedouro do esconderijo. Da amiga para o amigo. Sem importância de idades. Nacionalidades. Susceptibilidades. Ou outras ades. Comunhão de seres. - 'Posso pedir-te uma coisa?'. - 'Sim, claro'. - 'Tocas-me um pouco de piano?'. Pim pam pum psi pum pam pim. Uma perna dançarina. Dois ombros e um pescoço timidamente balançados. E um meio abraço de aura. Muito obrigado e felicitações à pianista auto-didacta. Sem pautas. De ouvido. Jantar em baixo. No restaurante da esquina. Esta frio para repetir o jantar no terraço do inicio de Verao de 2007. Mas ainda sinto o calor. A bebedeira que ambos apanhamos. Mais uma. A banda sonora cuja clave de sol foram as nossas conversas. As luzes de toda a Paris que se foram acendendo para nos. Mas agora no restaurante de toldo verde. Na esquina. Em baixo. E mais banda sonora. Sem bebedeira desta vez. Por ela quero voltar a Paris. Por ela ficaria em Paris. Ela, a Marie Janine. Não a bebedeira. E naquele momento, (re)apercebi-me que são essencialmente as pessoas que fazem os lugares concretos. Não os virtuais. E as recordaçoes. Mas não me arrependo nada dos quilometros e quilometros solitarios. No fundo, os extremos podem construir o equilibrio. Frequentemente, no teatro, experimenta-se a priori os exageros, incluindo dos clichés, para depois conseguir uma cena mais harmoniosa, limpa e generosa. E hoje partilho melhor as minhas casas porque desarrumei-as para re-arruma-las. Sem pressa. Sem grandes diarreias verbais. Mas no caminho do âmago. Afinal, no mesmo ponto passam infinitas rectas. Mas o ponto é a sua intersecção. So esta semana soube a sua idade. Setenta e nove anos. E fiquei contente. Por ter um banho de experiência de pessoa mais jovial do que outras pessoas mais novas de idade que conheço. Do que eu. Possivelmente. Por so ter sabido a sua idade cronologica passados mais de dois anos de a ter conhecido. Principalmente. E durante estes dois anos, a gravura que representa o nosso encontro, La brève rencontre, tem sido presença assidua no atelier, no apartamento principal, no apartamento secundario, em todas as exposiçoes. Como aquela a que fui ontem. E no meu quarto no Sul. E' preciso dizer que gosta de mim? Faz-me lembrar da minha madrinha. Parca nas palavras. Plena nas atitudes. E por isso, o rapazinho não via o quanto ela gostava dele. E mesmo que ela não fosse parca nas palavras... Ele tenderia a pensar que era por mera simpatia. So anos mais tarde, ao entrar no quarto dela, no leito da sua morte terrena, é que o homenzinho se apercebeu do quanto ela gostava dele. Ao ver fotografias do menino e do rapazinho espalhadas pelas prateleiras. E continua. A gostar. Do homenzinho. Agora. Faz-me também lembrar da algebra dos nascimentos na minha familia genetica. A minha mãe tinha onze anos quando o meu tio nasceu. O meu tio tinha os mesmos quando eu acordei para o mundo. O meu primo e primeiro afilhado (de sete - gosto do numero) veio um ano depois de eu ter dobrado a esquina da primeira decada cronologica. E o meu primo ganhou um irmão na mesma esquina. Somos pais aos vinte e dois anos. E aos trinta e três. Incluindo a minha querida avo. Dei a senha dos meus vinte e dois aos trinta e três do meu tio. Faltam-me sete para os trinta e três. Sete. Gosto. E fez-me lembrar porque na algebra das minhas melhores amigas de Paris, ha o intervalo aberto dos vinte. Trinta e nove. Magrebina instalada em Paris. Cinquenta e nove. Francesa obrigada a Paris. Setenta e nove. Parisiense pura. Marie Janine. A maioria dos teus cadernos continua por preencher. O meu esta preeenchido. Quase todo. Espirtitualidades? Creio que sim.
Na verdade, e segundo teorias actuais que reclamam o fim contemporâneo da adolescência aos vinte e quatro anos, Paris podera ter sido tão importante também pela coincidência (?) da passagem à vida adulta - o esclarecimento e afirmaçao efectiva, leia-se traduzida em actos, do que queremos ser, para onde queremos ir. Sem vergonhas. De nos. Ou perante os outros. Ainda que a portagem implicita da afirmação do ser seja importante quando decidimos entre virar à esquerda, direita, direrda, esqueita... Não raramente. Os argumentos postos em e à prova são mais maduros. Paris. Um sopro de existência. Re-invenção. Uma pegada no tempo. Mais uma linha do que recta. Fica aqui. Mas vem comigo.
Não somente, mas mais um amor do que uma paixão... Quarta vez e quartas descobertas, parecidas às infinitas diarias de outrora. Hoje. Afinal. Porque o tempo é uma espiral e os lugares sitios de cordas. E o amor... Ai o amor...
Aparições. Uma diaspora em afunilamento ecléctico. Ampulheta.
PS - A falta de acentos é culpa do teclado frrranciu.
sexta-feira, novembro 21, 2008
De filho para pai.
segunda-feira, outubro 27, 2008
sexta-feira, outubro 24, 2008
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro
in O Guardador de Rebanhos
sábado, outubro 04, 2008
(Que amor é o que se conhece, vive e cresce forçado? Amor? Não se procura, encontra-se... Não se mendiga, porque não somos gratuitos. Flui, como um rio do vale até se tornar infinito, no horizonte, em mar ou oceano, ainda que atrás entrecortado pelo relevo, mas nunca rasgado ou esventrado adiante, apesar de mais ou menos ondulado... Mas as ondas dão a espuma e a graça do movimento.)
terça-feira, setembro 30, 2008
sexta-feira, setembro 19, 2008

quinta-feira, agosto 14, 2008
terça-feira, julho 29, 2008
terça-feira, junho 24, 2008
quinta-feira, junho 19, 2008
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Alexandre O'Neill
(provavelmente, o mais bonito poema da Língua Portuguesa)
domingo, junho 01, 2008
sábado, março 29, 2008

Por que será que o arrependimento apenas bate
depois de tudo o que era já não ser,
depois do primeiro a chegar já ter ido?
Ao fim de cada pegada perpetuamente marcada?
Durante toda esta balada que nos envolve
e que por um sol, por uma lua e por cada estrela,
que já não é, ficamos irrequietamente quietos,
Insorridentes e sujeitos ao sonho desesperado?
Ai se tudo fosse como eu sonharia...
Por cada pedrinha e por cada sorriso lançado ao acaso,
tudo faria renascer e florescer,
mas não do modo como para aí ditam!
E todo este culminar de maldições e contradições,
medroso fugiria. E o que restaria?
Essa fuga constante do passado e de cada erguer!
Ai quem me dera...
Recuperar tudo o que deixei e por menos desejei,
Ai quem me dera...
Extinguir esta sensação de perda e vazio
e, por fim, atingir essa autêntica busca do ser eu meu
e esquecer este ponto sem retorno e, embalado no sonho,
saborear cada momento como sendo o derradeiro.
Ó destino, meu caro, repara na razia em que insistes!
Não! Já sei! Tira-me tudo o que queiras e não queiras:
A memória, as recordações e até a saudade do amanhã!
Tira-me tudo o que tenho e não tenho!
Nada de mais me vale, afinal, tudo fugiu, tudo se escapou,
e, porque além de tudo e de todos, prefiro cair no imemorável
a continuar nesta agreste tristeza e desesperante realidade.
E por fim, nada resta! Tudo cresce, tudo se multiplica.
E o que sobra? É esse mar negro infinito de dor e vividos.
E quando finalmente te busquei, o que encontrei?
Tudo menos nada!
E agora, chamem-me louco, chamem-me tudo!
Alto! Tudo menos tonto ou tapado!
E mais! Aquilo que sou é apenas aquilo que sinto e sucinto!
quinta-feira, março 20, 2008
Até já, inspiração!
quarta-feira, março 12, 2008
...que já data de 2005. Mas quando a publicidade é boa, nunca é tarde para um bom momento de humor!
[Também publicado no Devaneios Desintéricos bem como no subsidiário Devaneios LGBT.]
segunda-feira, dezembro 03, 2007
sexta-feira, novembro 30, 2007
domingo, novembro 18, 2007
quarta-feira, novembro 07, 2007
sábado, outubro 27, 2007
sábado, agosto 25, 2007
CEM PÉS NEM CABEÇA
Cansaço extasiado, o dos pés pertinazes.
Pés que desenham os rastos de poesia pelas ruas.
Pés que descem um degrau para subir dois de seguida.
Passo atrás, adiante, milhões e milhões de pés de altitude...

Quantos quilómetros de pensamentos solitários te viciam os pés?

Sem um pé, estabilidade instável (mas três a conta que Deus fez).
Ao pé de um dedo esticado, presente de (pe)rcurso passado.
Glórias do pé para a mão, os golos nem sempre balizados?
De pé, os atados. (Pe)sados e medrosos, os calçados.

Finalmente, quando livres, pilares calejados.
(Um dedo, um verso.
Um pé (-coxinho) e uma quintilha.
Dois pés, um trilho aberto e um poema.
Quatro pés, um cruzamento, duas e três vidas.
Seis pés, uma (pe)gada sedenta de ultrapassar o tempo.
Pés!)

Versão mais codificada lol:
CEM PÉS NEM CABEÇA
Cansaço extasiado, o dos pés pertinazes.
Pés que desenham os rastos de poesia pelas ruas.
Pés que descem um degrau para subir dois de seguida.
Passo atrás, adiante, milhões e milhões de pés de altitude.
Quantos quilómetros de pensamentos solitários te viciam os pés?
Sem um pé, estabilidade instável (mas três a conta que Deus fez).
Ao pé de um dedo esticado, presente de (pe)rcurso passado.
Glórias do pé para a mão, os golos nem sempre balizados?
De pé, os atados. (Pe)sados e medrosos, os calçados.
Finalmente, quando livres, pilares calejados.
(Um dedo, um verso.
Um pé (-coxinho) e uma quintilha.
Dois pés, um trilho aberto e um poema.
Quatro pés, um cruzamento, duas e três vidas.
Seis pés, uma (pe)gada sedenta de ultrapassar o tempo.
Pés!)
28 de Abril 2007 (dedicado à minha amiga Leila)
segunda-feira, agosto 06, 2007
sexta-feira, agosto 03, 2007
segunda-feira, julho 02, 2007
sábado, junho 23, 2007
No meio da realização do filme hardcore para a rede televisiva interna de voyeurismo da Faculdade, ainda que com a alma a transbordar, a propósito desta APARIÇÃO, ele disse-lhe ao ouvido: 'Mas tu... Beijas como uma criança!'...
'Ópera com acordes de heavy metal'...
Sonhos, talvez virtuais, não concretos... mas reais!
quarta-feira, junho 20, 2007
Prima,
Acho que aí não há: problemas de fígado, doenças sexualmente transmissíveis, preconceitos nem outros eitos…
Por isso: bebe que nem uma bêbeda, f*d* que nem uma p*t*, nunca feches as asas…
E já sabes: ‘Tesão no corpo’!
Por cá, vou ‘olhando o sol de frente’ e dando um olhinho aos teus…
Os teus ‘olhos verdes’,
‘Primocas’
PS1 – Espero que no céu também haja Internet.
PS2 – Cumprimentos ao Torres. :)
domingo, junho 03, 2007

E é hoje menos um dia que tens para fazer o que gostas? Sozinho ou acompanhado... Curtir, curtir, curtir, curtir, curtir... !!!! E ja agora, por que não dizeres a toda a gente de quem gostas... ? Vergonha?!?! Bah!!! Vergonha é não dizer! ;)
Que o medo de falhar é logo, por si, uma falha?
E ja que ninguém me ensina a pôr musiquinhas bonitinhas aqui e como ando meio enc*nad* para descobrir como, ficam as letras... O quê? O quê? Bonitinhas...!! ahah
Drink Sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...
A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se um descanso por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
PS 2 - Desculpem a falta de assentos... Ooops! Acentos! LOL
quinta-feira, maio 17, 2007

Eis dois daqueles poemas, cujo autour eu gostaria de ser:
(Infeliz do mortal comum não inspirado... LOL)
Una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
igual que el viento esconde el agua
como las flores que esconden lodo
Una mirada no dice nada
y al mismo tiempo lo dice todo
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro
una verdad no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
como una hoguera que no se apaga
como una piedra que nace polvo
si un dia me faltas no sere nada
y al mismo tiempo lo sere todo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo
(cantado por Carlos Varela)
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(cantado por Mariza)
sexta-feira, abril 13, 2007
Gostaria de exortar todos os caros bloggers que por aqui passem a, discordando da situação de proto totalitarismo a que a Polónia chegou, fazerem constar nos seus blogs semelhante protesto (ou outro que entendam certeiro) para que façamos chegar ao Embaixador da Polónia, por e-mail, o nosso descontentamento com a situação.
"Exmo Sr Embaixador da Polónia,
Ciente do árduo percurso do Povo do seu país rumo a uma Democracia expurgada de totalitarismos como os que historicamente se abateram sobre a Polónia, é com genuína inquietação que assisto à implementação de medidas governativas tendentes a instaurar um clima de desrespeito pelos mais basilares Direitos Humanos. As soluções propugnadas pelo executivo de Varsóvia, ao terem como consequência o desrespeito pela liberdade de não prossecução de um dado credo, a perseguição de minorias sexuais e modelos familiares atípicos, assim como as sugestões vindas a público de uma proibição total do aborto ou, por outro lado, a apologia da pena de morte feita por alguns membros do Executivo que representa, traduzem uma divergência inaceitável com os valores que assumimos comuns nesta União Europeia.
Ciente que o Povo polaco, como outrora, saberá levantar-se contra a instauração da intolerância e do desrespeito pela dignidade humana, junto de vós lavro o presente protesto."
sexta-feira, março 30, 2007
Doce balanço
Bossa Nova no ar
Leve brisa que roça
Onda sem pressa
Espuma fecundadora
Ao fundo galga a silhueta
Apaga trilhos de areia
Sem reboliço dança
Sol sonolento desperta
O céu manto lunar
Azul calmo
Laranja exaltante
Vermelho apaixonante
Rosa desinibido
Provocador lilás
Caleidoscópio divino
Verde moldura incompleta
Ressalta-nos os olhos
Na enseada varanda
Madeira pontão
Rede branca suspensa
Calções azul sol-russo
Eu
Tu
Nos meus braços
Pele com pele
Ao de leve
Beijo-te a testa sol-colorida
No umbigo desenho-te
Marotas cócegas
Mãos comungantes
No silêncio humano
Esvaio-me
Envolto em recreio
Mata viva
Peixes pulando
Mar ancorado
Sem ontem
Nem amanhã
Relógio ou compasso
Entre estrelas recém-acordadas
Vadiando.
O tempo numa escada rolante
Só por vezes…
Em poema imaginado pincelar
As nossas tardes e Itapoã…
(13 de Fevereiro de 2007)







