terça-feira, julho 29, 2008
terça-feira, junho 24, 2008
quinta-feira, junho 19, 2008
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Alexandre O'Neill
(provavelmente, o mais bonito poema da Língua Portuguesa)
domingo, junho 01, 2008
sábado, março 29, 2008

Por que será que o arrependimento apenas bate
depois de tudo o que era já não ser,
depois do primeiro a chegar já ter ido?
Ao fim de cada pegada perpetuamente marcada?
Durante toda esta balada que nos envolve
e que por um sol, por uma lua e por cada estrela,
que já não é, ficamos irrequietamente quietos,
Insorridentes e sujeitos ao sonho desesperado?
Ai se tudo fosse como eu sonharia...
Por cada pedrinha e por cada sorriso lançado ao acaso,
tudo faria renascer e florescer,
mas não do modo como para aí ditam!
E todo este culminar de maldições e contradições,
medroso fugiria. E o que restaria?
Essa fuga constante do passado e de cada erguer!
Ai quem me dera...
Recuperar tudo o que deixei e por menos desejei,
Ai quem me dera...
Extinguir esta sensação de perda e vazio
e, por fim, atingir essa autêntica busca do ser eu meu
e esquecer este ponto sem retorno e, embalado no sonho,
saborear cada momento como sendo o derradeiro.
Ó destino, meu caro, repara na razia em que insistes!
Não! Já sei! Tira-me tudo o que queiras e não queiras:
A memória, as recordações e até a saudade do amanhã!
Tira-me tudo o que tenho e não tenho!
Nada de mais me vale, afinal, tudo fugiu, tudo se escapou,
e, porque além de tudo e de todos, prefiro cair no imemorável
a continuar nesta agreste tristeza e desesperante realidade.
E por fim, nada resta! Tudo cresce, tudo se multiplica.
E o que sobra? É esse mar negro infinito de dor e vividos.
E quando finalmente te busquei, o que encontrei?
Tudo menos nada!
E agora, chamem-me louco, chamem-me tudo!
Alto! Tudo menos tonto ou tapado!
E mais! Aquilo que sou é apenas aquilo que sinto e sucinto!
quinta-feira, março 20, 2008
Até já, inspiração!
quarta-feira, março 12, 2008
...que já data de 2005. Mas quando a publicidade é boa, nunca é tarde para um bom momento de humor!
[Também publicado no Devaneios Desintéricos bem como no subsidiário Devaneios LGBT.]
segunda-feira, dezembro 03, 2007
sexta-feira, novembro 30, 2007
domingo, novembro 18, 2007
quarta-feira, novembro 07, 2007
sábado, outubro 27, 2007
sábado, agosto 25, 2007
CEM PÉS NEM CABEÇA
Cansaço extasiado, o dos pés pertinazes.
Pés que desenham os rastos de poesia pelas ruas.
Pés que descem um degrau para subir dois de seguida.
Passo atrás, adiante, milhões e milhões de pés de altitude...

Quantos quilómetros de pensamentos solitários te viciam os pés?

Sem um pé, estabilidade instável (mas três a conta que Deus fez).
Ao pé de um dedo esticado, presente de (pe)rcurso passado.
Glórias do pé para a mão, os golos nem sempre balizados?
De pé, os atados. (Pe)sados e medrosos, os calçados.

Finalmente, quando livres, pilares calejados.
(Um dedo, um verso.
Um pé (-coxinho) e uma quintilha.
Dois pés, um trilho aberto e um poema.
Quatro pés, um cruzamento, duas e três vidas.
Seis pés, uma (pe)gada sedenta de ultrapassar o tempo.
Pés!)

Versão mais codificada lol:
CEM PÉS NEM CABEÇA
Cansaço extasiado, o dos pés pertinazes.
Pés que desenham os rastos de poesia pelas ruas.
Pés que descem um degrau para subir dois de seguida.
Passo atrás, adiante, milhões e milhões de pés de altitude.
Quantos quilómetros de pensamentos solitários te viciam os pés?
Sem um pé, estabilidade instável (mas três a conta que Deus fez).
Ao pé de um dedo esticado, presente de (pe)rcurso passado.
Glórias do pé para a mão, os golos nem sempre balizados?
De pé, os atados. (Pe)sados e medrosos, os calçados.
Finalmente, quando livres, pilares calejados.
(Um dedo, um verso.
Um pé (-coxinho) e uma quintilha.
Dois pés, um trilho aberto e um poema.
Quatro pés, um cruzamento, duas e três vidas.
Seis pés, uma (pe)gada sedenta de ultrapassar o tempo.
Pés!)
28 de Abril 2007 (dedicado à minha amiga Leila)
segunda-feira, agosto 06, 2007
sexta-feira, agosto 03, 2007
segunda-feira, julho 02, 2007
sábado, junho 23, 2007
No meio da realização do filme hardcore para a rede televisiva interna de voyeurismo da Faculdade, ainda que com a alma a transbordar, a propósito desta APARIÇÃO, ele disse-lhe ao ouvido: 'Mas tu... Beijas como uma criança!'...
'Ópera com acordes de heavy metal'...
Sonhos, talvez virtuais, não concretos... mas reais!
quarta-feira, junho 20, 2007
Prima,
Acho que aí não há: problemas de fígado, doenças sexualmente transmissíveis, preconceitos nem outros eitos…
Por isso: bebe que nem uma bêbeda, f*d* que nem uma p*t*, nunca feches as asas…
E já sabes: ‘Tesão no corpo’!
Por cá, vou ‘olhando o sol de frente’ e dando um olhinho aos teus…
Os teus ‘olhos verdes’,
‘Primocas’
PS1 – Espero que no céu também haja Internet.
PS2 – Cumprimentos ao Torres. :)
domingo, junho 03, 2007

E é hoje menos um dia que tens para fazer o que gostas? Sozinho ou acompanhado... Curtir, curtir, curtir, curtir, curtir... !!!! E ja agora, por que não dizeres a toda a gente de quem gostas... ? Vergonha?!?! Bah!!! Vergonha é não dizer! ;)
Que o medo de falhar é logo, por si, uma falha?
E ja que ninguém me ensina a pôr musiquinhas bonitinhas aqui e como ando meio enc*nad* para descobrir como, ficam as letras... O quê? O quê? Bonitinhas...!! ahah
Drink Sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...
A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se um descanso por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
PS 2 - Desculpem a falta de assentos... Ooops! Acentos! LOL
quinta-feira, maio 17, 2007

Eis dois daqueles poemas, cujo autour eu gostaria de ser:
(Infeliz do mortal comum não inspirado... LOL)
Una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
igual que el viento esconde el agua
como las flores que esconden lodo
Una mirada no dice nada
y al mismo tiempo lo dice todo
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro
una verdad no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
como una hoguera que no se apaga
como una piedra que nace polvo
si un dia me faltas no sere nada
y al mismo tiempo lo sere todo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo
(cantado por Carlos Varela)
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(cantado por Mariza)
sexta-feira, abril 13, 2007
Gostaria de exortar todos os caros bloggers que por aqui passem a, discordando da situação de proto totalitarismo a que a Polónia chegou, fazerem constar nos seus blogs semelhante protesto (ou outro que entendam certeiro) para que façamos chegar ao Embaixador da Polónia, por e-mail, o nosso descontentamento com a situação.
"Exmo Sr Embaixador da Polónia,
Ciente do árduo percurso do Povo do seu país rumo a uma Democracia expurgada de totalitarismos como os que historicamente se abateram sobre a Polónia, é com genuína inquietação que assisto à implementação de medidas governativas tendentes a instaurar um clima de desrespeito pelos mais basilares Direitos Humanos. As soluções propugnadas pelo executivo de Varsóvia, ao terem como consequência o desrespeito pela liberdade de não prossecução de um dado credo, a perseguição de minorias sexuais e modelos familiares atípicos, assim como as sugestões vindas a público de uma proibição total do aborto ou, por outro lado, a apologia da pena de morte feita por alguns membros do Executivo que representa, traduzem uma divergência inaceitável com os valores que assumimos comuns nesta União Europeia.
Ciente que o Povo polaco, como outrora, saberá levantar-se contra a instauração da intolerância e do desrespeito pela dignidade humana, junto de vós lavro o presente protesto."
sexta-feira, março 30, 2007
Doce balanço
Bossa Nova no ar
Leve brisa que roça
Onda sem pressa
Espuma fecundadora
Ao fundo galga a silhueta
Apaga trilhos de areia
Sem reboliço dança
Sol sonolento desperta
O céu manto lunar
Azul calmo
Laranja exaltante
Vermelho apaixonante
Rosa desinibido
Provocador lilás
Caleidoscópio divino
Verde moldura incompleta
Ressalta-nos os olhos
Na enseada varanda
Madeira pontão
Rede branca suspensa
Calções azul sol-russo
Eu
Tu
Nos meus braços
Pele com pele
Ao de leve
Beijo-te a testa sol-colorida
No umbigo desenho-te
Marotas cócegas
Mãos comungantes
No silêncio humano
Esvaio-me
Envolto em recreio
Mata viva
Peixes pulando
Mar ancorado
Sem ontem
Nem amanhã
Relógio ou compasso
Entre estrelas recém-acordadas
Vadiando.
O tempo numa escada rolante
Só por vezes…
Em poema imaginado pincelar
As nossas tardes e Itapoã…
(13 de Fevereiro de 2007)
JORNAL DA TARDE: UM BIG BROTHER
Eis que... Esta tarde, consu(o)lado de Portugal, Jornal da Tarde, na RTPi: noticia banal, tão banal que não me lembro qual. Seria também por mal ouvir devido a distância? Quase euforico, contente igualmente por ver e ouvir 'bimbos' e tugas,corri para a cadeira mais proxima do televisor. As tantas, senti-me entrevistado pela Teresa Guilherme: um big brother (mais, à Paris, c'est chic, ahn?!? oh la la! LOL) de lagrimas com requintes de 'pirosice', saudosas, sentidas em Português, a mãe das minhas linguas! Na outra noite, 'sur France3', um turbilhao semelhante perante as ruas de Alfama, o electrico 28, os claustros dos Jeronimos, a torre de Belem, o Douro e a Foz no Porto e o seu mar com o sal - lagrimas de Portugal, a heranca em Goa, no Brasil etc, etc.
sábado, março 24, 2007

um 'COMMENT' digno de 'POST'...
...Porque todas as palavras são ínfimas para matar as saudades:
Adormeceste no dia 10 de Fevereiro de um ano que já esqueci, não sem antes suspirares os parabéns ao teu companheiro de toda a vida e lembrar todos quantos te eram tão queridos.

Adormeceste de mão dada emprestando aquela força vital que sempre emprestaste à vida.

Prefiro-te Eugenésica de uma prol que se orgulha de ti e das tuas acções.
Enquanto (Eu)genearca moldaste-me com a tua forma de emanar amor e carinho; com a simplicidade da tua filantropia e compreensão; com a ajuda à pobreza e tristeza; dando tudo o que se tem quando não se tem nada.

Emprestaste-me a tua sensibilidade e por isso perdi a vergonha de chorar, o teu estoicismo e por isso ganhei a força para lutar contra a adversidade, a tua simplicidade e por isso admiro o trivial, a tua força de vida e por isso luto até à exaustão.
Representavas um papel que não querias num teatro que não desejavas.
Finalmente, juntaste corpo e sonho e repousas tranquila.
quarta-feira, março 07, 2007
Não me peças, amigo
Felicidade documentada
Ela não se disseca
Não tem como nem porquê
É música sem pauta
Vibra no silêncio
No olhar flutua
Corrói paredes
Raízes inunda
Pára o ponteiro
Toca o lábio na orelha
Dissolve o bem e o mal
Contenta-se do nada
De tudo se alimenta
E se felicidade
Parecer faltar
Sobrevive o sonho
Resiste a memória
Concretos ou virtuais
Sempre reais…
Até ao próximo degrau
Ou à chave de outra escada!
22 Fevereiro 2007
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.
Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.
Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto.
Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
É bom que nos questionemos porque fazemos algumas coisas sem pensar ...
É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Albert Einstein

sábado, fevereiro 10, 2007
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Voltar a comprar cassetes
Tocar às campainhas e fugir
Correr pelos eucaliptais
Ver as vacas à vacaria
Baloiçar e escorregar no parque
Escorregas e baloiças comigo
Enfiar-me num bidão de água
Comer batatas fritas com ovo estrelado
Estorricar pizzas no forno
Apanhar caganeiras de gelado e uvas
Acordar com pastéis de nata
Falar com desconhecidos
Dizer olá ao sol
Coçar o cão vagabundo
Ficar a conversar perante os barcos do lago
Mas não dizes a ninguém!
Os meus avós podem ficar com ciúmes
A minha mãe talvez ralhe
O meu pai…
Não faz mal, agora não está!
Vamos, avó!
Abraçar o mundo com a bondade
Doce Eugenuidade que me ensinaste
Que cedo te traiu e levou.
Desculpa, se eu soubesse…
Vamos, avó!
Minha génia, minha génese!
Vamos puxar o fio do tempo
E matar saudades
Tenta entretê-lo com uma tigelada…
Enfio os chinelos
Os pés são teus
Cabelo sempre espetado
O pijama azul quase roça o chão
Esfrego o olho sonolento
A fechadura é a minha altura
Quem é?
Sorrio e derreto-me
Estico-me para te beijar
Aconchegas-me nos teus braços
Que me trazes desta vez no bolso?
Sempre me levas às vindimas no Norte?
Até já….
(21 Novembro 2006)



















